O patinho feio


Passei a semana toda pensando no choque que Susan Boyle causou aos milhões de espectadores britânicos e aos outros tantos milhões que a viram pela internet. Se você ainda não sabe de quem estou falando, assista primeiro ao vídeo e depois retorne à coluna. Se você já a viu, veja mais só mais uma vez, por favor. Eu espero!

Depois de superada a emoção de ver Susan cantando, senti-me humilhada, pequena e vazia diante da beleza daquela mulher... Diante da humildade, da alegria, do carisma e da sua beleza única (a repetição do adjetivo foi proposital)! Ao ouvir Susan dizer que queria ser uma cantora famosa, o público riu. Todos nós rimos e não sejamos hipócritas. Se Susan tivesse uma voz horrível, teríamos rido novamente ao final da apresentação, como mais uma bizarrice da televisão e estaria tudo certo. Tudo "harmoniosamente" certo.

Susan, ao final tornou-se bela. Aos meus olhos e - creio - aos olhos do mundo. Agora, ela é a favorita de famosos como Demi Moore e Oprah Winfrey. Sem comentários...

Susan hipotizou o mundo já nas primeiras notas. No meio da apresentação, as lágrimas vieram aos olhos de muitos (e eu estou nesta lista!). Mas por que todos se espantaram ao ouvi-la cantar? Porque a televisão só nos mostra pessoas belas, com belos corpos, belas mãos, belos cabelos, bela pele... belo, belo, belo... bela, bela, bela. Somos bombardeados e instigados a acreditar no belo, por isso, não acreditamos em Susan. Ela nos parecia uma carta fora do baralho. Uma peça fora do tabuleiro. Um momento destinado ao ridículo.

E ridículos fomos nós, todos nós.

Susan abriu suas asas, alçou vôo sobre nossas cabeças e mostrou-nos que alguns podem ser mais belos do que ela, mas nenhum de nós sabe voar como ela!

As belas são belas por pouco tempo, enquanto Susan voará para sempre, como tantas vozes magníficas do passado.

Susan sorriu no começo e riu no final. Riu de todos nós. "Eu posso ser feia, e vocês que não sabem cantar?" Infelizmente, a simplicidade de Susan não lhe permitiu fazer tal afirmação diretamente. E nem precisa. Mesmo sem abrir a boca, pudemos ouvir suas palavras, mesmo que ela nem as tenha pensado! Porque Susan provavelmente não pensou assim. Ela só quis levar um pouco de beleza (da sua beleza) ao mundo e mostrar-se bela, como é.

A beleza física emociona? Não. A música sim. A voz de Susan, sim! A interpretação de Susan, sim! E só canta assim quem tem uma beleza interna extraordinária.

Susan, nos colocou diante do pré-conceito que nos faz pré-julgar as pessoas e esta foi a minha lição desta semana. Mesmo que preguemos que a aparência não significa nada, confrontar discurso com realidade é um exercício que poucos conseguem nos colocar à prova.

Susan fez mais do que cantar. Ela nos sacudiu!

(vídeo: Susan Boyle sim sabe cantar no Yahoo! Vídeo - apresentação durante o programa "Britain Got Talent")

Comentários

Dila Pereira disse…
"Belo" é se perceber amado pelo que se é, com coragem, de olhos fechados e mente aberta. E Susan com certeza teve essa coragem.