O mais e o menos

Somos seres imperfeitos e inseguros por natureza. O ambiente à nossa volta colide com o nosso interior e nos faz sentir pequenos diante de tanta perfeição imaginária. Sim, imaginamos o outro sempre melhor do que nós mesmos. Mais belos, mais capacitados, mais saudáveis, mais bem sucedidos. 

O "mais" está ameaçadoramente presente em tudo e em todos enquanto o menos, nosso companheiro diário de lamentações, grita com o nosso ego ferido.

O que deveríamos realmente pensar e sentir é o avesso da massacrante sensação de desprezo diante da grandeza do outro, pois esta imensidão de qualidades é puramente relativa. Depende de onde você está quando olha para o outro. Erguer-se diante das adversidades requer força e determinação, mas não é impossível. Você pode pensar com grandeza, como algo assim:

"A sua existência não me ameaça nem me intimida. Seriam necessárias dezenas de milhares de você para chegar perto do que sou hoje e outras dezenas de milhares a mais do que serei amanhã. Enquanto você, em sua minúscula existência, se debate para ser, eu já sou há muito tempo. Sou inteira, sou forte, sou perfeita em minhas funções, sou guerreira e mulher. Sou a melhor versão de mim mesma e, independente do que você seja, faz ou tem, não me interessa porque nada do que é seu ou para você serve no meu mundo, na minha vida e nos meus planos futuros."

Porém, a grandeza é apenas a outra face da baixa autoestima, apenas mais uma curva do ciclo vicioso da comparação. Viver comparando-se ao outro é perder o tempo que deveria ser dedicado a você e às suas conquistas. Não importa o quão belo ou bem sucedido o outro é. Nem tudo o que é perfeito para o outro seria o ideal para você. Conhecer as próprias necessidades nos liberta da cansativa busca do ser o que não somos ou ter o que não temos.

Liberdade é o saber quem você é, quais os seus sonhos e ambições, é saber que neste mundo de sete bilhões de pessoas, corpos e mentes, você é única. Nada mais, nada menos.

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