Eles querem nossos filhos

Antes de qualquer coisa, peço ao leitor que leia esta seqüência de verbos:

"acordou, barbeou-se... beijou, saiu, entrou... despachou... vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou... despiu-se... deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou... saiu... chegou, beijou, negou, etc, etc".

Enquanto lê, certamente imaginou um personagem para a cena. Agora tente defini-lo. Segundo o livro didático de redação - usado por uma estudante de 14 anos em escola particular - do qual este trecho foi extraído, é a maneira de “como se conjuga um empresário”.

Se você ficou pasmo(a) como eu, então continue a leitura. Caso contrário, melhor mudar de página porque, certamente, não gostará do que vou descrever abaixo.

Crente de que se tratava apenas de um engano, a mãe desta estudante pegou outras apostilas. Infelizmente ela encontrou mais. Na apostila de História, destacam-se os trechos:

"O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".

".....a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado".

O conteúdo, não só de mau gosto como também altamente tendencioso, levou a mãe - que também é jornalista - a retirar a filha da escola e denunciar a instituição em um artigo. A briga foi parar na justiça e, até o momento, apenas a mãe teve que cumprir uma ordem judicial: retirar o nome da escola do artigo. A jornalista e dois editores onde o artigo foi publicado respondem processo na justiça.

Esta é a educação que estão oferecendo aos nossos filhos. Muitas escolas (públicas e particulares) estão usando métodos da antiga cartilha comunista de “como recrutar jovens da maneira mais fácil possível”.

Encontrei, na internet, várias denúncias desta prática vindas de pais e até professores. Profissionais que se sentem atropelados pelos canhões silenciosos da doutrinação dentro de sala de aula, como relata este professor de Filosofia:

... “não suporto mais o clima sufocante que o ativismo esquerdista fez pairar sobre nossas instituições de ensino”
... “Espero de coração que muita gente, para o bem de seus filhos e do Brasil, entre nessa cruzada contra a barbárie e em defesa do verdadeiro ensino E acho que a coisa tem de começar já nas escolas primárias e secundárias, onde a atuação dos doutrinadores esmaga e transforma num mingau indigesto o cérebro de nossos jovens, porque nas universidades o "Leviatã" já se apossou de suas almas e afirma, de púlpito, que o inferno é aqui.”

Em outro caso, uma escola em Bagé (RS) – também particular – estaria usando um livro “didático” para a 5ª série (isso mesmo, 5ª série!!!!) de “Geografia”, em que os alunos são bombardeados com ensinamentos do tipo:

... “propriedades grandes são de ‘alguns’ e que assentamentos e pequenas propriedades familiares ‘são de todos’. Aprendem que ‘trabalhar livre, sem patrão’ é ‘benefício de toda a comunidade’. Aprendem que assentamentos são ‘uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais’”

Para completar, diz o artigo “A Revolução Silenciosa”, os jovens são obrigados a ler um texto do líder do MST, João Stédile!!!!!

É cruel demais ver nossos jovens, que já passam por tantas provações que a fase lhes incide, serem doutrinados desta maneira, à luz do dia, silenciosamente e debaixo dos nossos olhos! Façamos as contas. Lula está no governo há 5 anos. Quando ele entrou, uma criança de 11 anos, sendo “educada” desta maneira, hoje, aos 16, estaria apta a votar. Preciso falar mais alguma coisa?

Todos sabem que as escolas sempre serviram de palanque. A diferença, hoje, somos nós (pais) e o acesso à informação. Ter uma conversa franca com os filhos e procurar mostrar-lhes todos os lados da História - hoje em dia - está sendo fundamental para garantir a saúde mental dos nossos jovens!

Mas não acabou, companheiros!

Só para lembrar, em fevereiro, a revista Veja publicou uma entrevista com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, em que ele denuncia uma doutrinação idelológica dentro do Itamaraty.

“Está havendo uma doutrinação. Diplomatas de categoria, não apenas jovens, são forçados a fazer certas leituras quando entram ou saem de Brasília. Livros que têm viés dessa postura ideológica. É uma coisa vexatória. O Itamaraty não é lugar para bedel.”

"Um processo de doutrinação assim no Itamaraty não aconteceu nem na ditadura".

Pode ser pior? Pode. Recebi, recentemente, um email com uma questão formulada em uma prova da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A questão apresentava um conceito tão ideológico que achei que fosse piada. Não era. Assim como também não era ela a única questão a me chocar. Só para se ter uma idéia, vou deixar aqui um gostinho:

22. Aponte os exemplos de homens éticos com visão filosófica engajada (para além da hipocrisia):
A) Bush, Olavo de Carvalho, Editora Abril, Inocêncio de Oliveira e Roberto Marinho.
B) Dalai Lama, Gandhi, Marina da Silva, Frei Beto e Dom Helder.
C) FHC, Marco Maciel, ACM, Ratinho e Reginaldo Rossi.
D) Leonardo Boff, Irmã Dulce, Ariano Suassuna, Betinho e Zilda Arns.
E) Dalai Lama, Gandhi, ACM, Frei Beto e Leonardo Boff

Agora, imagine, caro leitor, como será a tal TV Pública... aliás, com um governo munido de tantos instrumentos de doutrinação assim, pra quê TV Pública, não é mesmo? Talvez para garantir os 10 milhões de empregos que Lula tanto disse que criaria no primeiro mandato. Até dezembro do ano passado, o IBGE apontou pouco mais de 2 milhões de novos empregos em 4 anos de governo.

***As denúncias foram retiradas do site “Escola sem Partido”, criado em 2004 para denunciar práticas de doutrinação ideológica dentro das escolas:

Luta sem Classe (Míriam Macedo)
A Revolução Silenciosa (Diego Casagrande)
Denúncia de doutrinação ideológica no Itamaraty
Uma prova da Universidade Federal de Pernambuco e a revolução cultural do ministro Haddad

Comentários

Pedro de Castro Magalhães Gomes disse…
Senhora Érika Bento Gonçalves,

Sou estudante do Colégio Pentágono, unidade Perdizes. Curso o segundo ano do Ensino Médio e gostaria de comentar o artigo inserido em seu “site”, publicado também na revista Veja de 10.6.2007, sobre atitude tomada pela Sra. Mírian Macedo, mãe de uma ex-aluna da unidade Morumbi, acerca de informações contidas em apostilas do sistema COC, utilizadas em minha escola.

Não admito que nenhum dos meus professores sejam acusados de adotar apostilas de conteúdo "pornomarxistas" e "deseducadoras". Aliás, a expressão “pornomarxista” é por si só desrespeitosa. Não se qualifica nenhuma teoria de “pornô”, ainda que se trate de teoria que revele ideologia com a qual não se concorde e que possa ser considerada errada, ultrapassada e até mesmo absurda. A deselegância da expressão utilizada revela falta de educação de quem se diz preocupada com ela.

Para que os menos avisados que leram o artigo e que não conhecem minha escola e meus professores, gostaria de prestar alguns esclarecimentos.

Nenhum professor de minha escola é obrigado a adotar exclusivamente as apostilas do COC, para ministrar suas aulas. Aliás, desde o início do Ensino Médio as disciplinas de História e Geografia (que foram citadas no artigo) são ministradas por professores muito competentes, sendo que a qualidade das aulas é tão boa que nem é preciso utilizarmos as apostilas, bastando as anotações de classe.

Em mais de uma oportunidade, pequenos equívocos constados nas apostilas foram imediatamente corrigidos pelos próprios professores. Meu professor de História já nos orientou que riscássemos determinada informação equivocada contida na apostila, substituindo-a pela informação correta por ele mesmo fornecida.

Também nunca nenhum dos meus professores durante minha vida escolar inteira (estudo no Pentágono há 13 anos) me induziu a alguma ideologia de esquerda ou direita. Eles sempre expuseram os fatos como são, deixando que nós alunos tirássemos conclusões e formássemos opiniões próprias, sobre os diversos fatos históricos, sem nunca tentarem exercer qualquer atividade doutrinária sobre mim e meus colegas.

Espero que os senhores tenham lido a Folha de S. Paulo de ontem, 12 de junho de 2007, pois há uma reportagem de Daniela Tófoli no caderno Cotidiano que expõe o comentário da diretora pedagógica do meu colégio, Gracia Klein e o pronunciamento de defesa de José Henrique Del Castillo Melo, diretor da Editora COC. A reportagem da Folha, ao contrário do que ocorreu com a da revista Veja, não se preocupou apenas em expor um único lado da questão.

Na mesma reportagem, o teólogo Fernando Altemeyer da PUC-SP, procurado pela Folha, afirma que um texto da apostila, indicado como errado pela Sra. jornalista Mírian Macedo está correto apesar de mal escrito. Trata-se da questão envolvendo a Igreja e a escravidão. Informou o teólogo que a Igreja apoiava sim a escravidão, não tendo a Sra. jornalista se aprofundado mais em sua pesquisa, o que a fez não levar em conta o fato de a bula papal que menciona não ter sido aplicada, ao menos na Igreja da América Latina da época colonial.

No que diz respeito ao texto de autoria do poeta Mino, subestimado em minha opinião pela revista Veja, pois se trata de poeta integrante do forte movimento da literatura marginal, novo equívoco cometeu a Sra. jornalista, infelizmente amparado pela revista Veja.

O texto do referido poeta foi citado na apostila de redação, porque foi objeto de questão no vestibular da UFMG. Sempre foi preocupação de nossa professora de redação, nos preparar para o vestibular, sendo assim correta sua atitude de procurar se informar sobre os temas que já foram apresentados nas provas.

Em nenhum momento nossa professora de redação teceu qualquer comentário contra ou a favor do texto do referido poeta.

No meu entender, a Sra. jornalista e a revista Veja “pinçaram” partes dos textos das apostilas, sem se preocupar com o contexto em seu todo.

Sua atitude equivocada, a fez referir-se a Mino, qualificando-o como “um desconhecido escritor cearense que atende pelo nome de Mino”. Entendo que a expressão utilizada pela Sra. jornalista demonstra preconceito. Ademais, Mino não atende pelo nome de Mino. Mino se chama Mino, trata-se de seu nome, do qual seguramente deve se orgulhar.

Presto as informações acima, preocupado com o risco que envolve a publicação de notícia que não se aprofundou no exame do tema.

Desde já grato pela compreensão,
Pedro de Castro Magalhães Gomes – aluno do 2 ano do Ensino Médio do Colégio Pentágono – Unidade Perdizes.
Paulo Pavesi disse…
Caro prodígio Pedro de Castro Magalhães Gomes. Poderia nos dizer qual a sua tendência política, por gentileza?

Assim poderíamos compreender como concluiu tudo isso sozinho!

Os texto extraídos da apostila, não deixam dúvidas sobre o que as apostilas tentam fazer com os jovens. Estranho alguém defender este tipo de atitute, já inclusive reconhecido pela justiça e pela própria rede de ensino. Aliás, eu tenho um parente que é ou foi auditor no COC. Mas não defendo nada que esteja errado.

Paulo Pavesi
Anônimo disse…
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